Quanto riso, Oh quanta alegria… #crônicasdemetrô

Quanto riso, Oh quanta alegria… #crônicasdemetrô

Quanta gente de mala nas mãos, mochilas nas costas e com um monte de planos na cabeça para os próximos dias. Essa galera está indo para a estação Tietê, Barra Funda ou Jabaquara? Sei lá! Só sei que irão para sítios, praias ou qualquer lugar com a ideia em comum de curtir o bom e velho Carnaval!

Isso tudo fez eu lembrar da minha primeira viagem sem meus pais. Fui para a casa na praia do meu amigo Camilo e família. Eu tinha quatorze anos e muitas ideias diabólicas na mente.

Eu recordo do ventinho no rosto na estrada e da convicção que seria o melhor carnaval da minha vida., afinal eu já não aguentava mais passar aqueles quatro dias como os outros anos: em frente a televisão vendo o desfile das escolas de samba, a apuração e nada mais!

Na primeira noite da viagem eu conheci os amigos de Camilo e fomos dar uma volta na praia. Eu tive o meu primeiro contato com o cigarro. Eu nem sabia fumar, mas tentava tragar, tossia muito, todos riam, mas eu nem ligava.

No dia seguinte aconteceu uma das coisas mais impressionantes da minha vida. Uma prova que intuição materna existe! Liguei para minha mãe pela manhã para dar notícias. Na conversa ela disse: – Fabinho! Sonhei que você estava fumando. Foi um pesadelo!

Eu neguei tudo! Mas fiquei mal por ter traído a confiança da minha mãe e não fumei mais durante os outros dias. Eu sentia que estava sendo vigiado a distância pelo sexto sentido da minha velha. Assustador!

No sábado fomos para o centro de ônibus. Tinha muita gente curtindo um show de Axé. A música mais tocada do carnaval daquele ano era “Bom Chibom Chibom bom bom”. Legal né?

No meio do tumulto eu cheguei em uma menina que estava em galera. Ela disse não (óbvio), mas ela tentou ajudar me oferecendo para todas suas amigas. A partir daquele momento eu levei oito botas em menos de trinta segundos. Comecei a repensar a minha vida. O saldo de meninas que eu havia ficado naquela viagem foi menos cinco.

Os outros dias não fizeram diferença pra mim. Eu só queria dormir e pouco fui a praia. Certamente eu estraguei o carnaval do Camilo. Mas não me esqueço de algumas sensações: da pressa de voltar pra casa, da saudade de curtir umas escolas de samba pela televisão e da esperança de voltar a tempo de assistir a apuração!

E o Camilo? Nunca mais vi depois daquela viagem!

 

Texto colaborativo by Fábio Gabriel

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