O que é que há velhinho? #crônicasdemetrô

O que é que há velhinho? #crônicasdemetrô

Hoje eu lembrei de uma jovem de óculos, loira artificial e de baixa estatura que relatou seu parto via telefone. A pessoa do outro lado chamava Ester e era tia da loirinha. Eu e o vagão ouvimos com detalhes todo aquele relato.

Eu destaco as frases “fiquei com dez dedos de dilatação”, “suportei dez horas de sofrência” e “no próximo parto só vou quando a cabeça estiver saindo”. Foi fantástico! Um verdadeiro show da vida.

Num outro dia presenciei uma senhora sentada no banco preferencial. Ela vestia uma grande saia, portava um coque no cabelo e se distraia com uma revistinha de palavras cruzadas. Acredito que ela tinha no minimo noventa e três anos.

Quando de repente entrou uma senhora sorridente, com o cabelo roxo e olhos azuis que a garantiam uma aparência angelical. Ela tinha cerca de sessenta anos e me lembrava Dona Benta do Sítio do Pica-Pau amarelo.

Naquele momento a idosa que estava sentada no banco preferencial não pestanejou e resolveu dar lugar a senhora recém chegada no vagão. Aquela senhora educada se sentiu mais jovial a ponto de levantar do banco que ocupava com tanta propriedade. Uma verdadeira aula de auto estima.

Certa vez eu estava sentado em um banco normal, no entanto eu sempre dou lugar aos idosos, grávidas ou deficientes independente do banco preferencial.

Esse dia entrou um senhor de camisa xadrez e levemente corcunda. Ofereci o meu lugar e ele não aceitou. Insisti e ele negou mais uma vez com um gesto decidido. Voltei ao lugar.

Depois de alguns minutos um outro idoso encostou do meu lado. Ele vestia uma boina e óculos na ponta do nariz. Repeti o meu gesto de solidariedade. Fiquei surpreso que ele também negou o lugar.

Fiquei me sentido mal. Sinal que aperentemente para a sociedade estou precisando descansar mais que qualquer um… A partir daquele dia resolvi vestir roupas mais jovens, disfarçar meus precoces cabelos brancos e dormir oito horas por dia.

Metrô! Lugar de aprender, refletir e repensar a vida!

 

Texto colaborativo by Fabio Gabriel.

Tirinha by Diogo Pontes

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