O office-boy voltando à tona! #crônicasdemetrô

O office-boy voltando à tona! #crônicasdemetrô

Do outro lado do vagão há um menino cheio de espinhas, magrelo e baixinho. Ele veste uma camisa que não está combinando com a calça, que não orna com o cinto e que nada tem a ver com o sapato.

Ele carrega uma mochila, está com fones de ouvido e batuca nas paredes do vagão como se estivesse dentro da canção, preso por vontade própria em um mundo paralelo. Será que ele é office-boy? Será que ainda existe office-boy?

Como ele parece comigo aos dezesseis! Lembro-me que além da aparência, eu também viajava nos pensamentos pelos metrôs dessa cidade. Eu era um office-boy que amava entregar documentos na Paulista. Meu ritual era andar naquela Avenida tomando um sorvete de casquinha. Radical né?

Eu tinha um Walkman da Aiwa e diferente desse menino que certamente escuta qualquer música do mundo em um simples clique, eu tinha que gravar aquelas fitas k-7. A minha seleção era de músicas originadas de CD’s emprestados e algumas canções entravam na fita graças a minha agilidade em apertar o REC justo no momento em que a Luka da 89FM as anunciava.

Peguei trauma de marmita. Eu tinha um chefe que era pão duro e na cozinha da empresa não tinha micro-ondas. Era preciso esquentar a marmita em banho-maria. Sempre que eu começava a esquentar dessa forma, ele pedia para eu ir ao Banco, e quando voltava ao escritório o tapawer estava grudado no fundo recipiente de metal e a minha comida com gosto de plástico.

Tanto é verdade que arranjei um outro emprego, não pelo porte da empresa, não pela oportunidade de crescimento, não por ganhar R$ 212 a mais e sim por que pagava vale refeição que ainda era de papel.

Ai, ai… Vou terminar com uma frase de tiozão: Nossa como passou rápido!

 

Texto colaborativo by Fabio Gabriel.

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