“Noite feliz, noite feliz. Oh Senhor…” #crônicasdemetrô

“Noite feliz, noite feliz. Oh Senhor…” #crônicasdemetrô

Olhando pelas janelas do vagão voltando pra casa vejo milhares de prédios com as sacadas repletas de piscas-piscas e enfeites que remetem ao bom velhinho.

No trem, acaba de entrar um menino de uns dezenove anos com um  presente na mão direita e carregando com dificuldade uma cesta de natal no braço esquerdo. Deve ter acabado de participar do amigo secreto da firma.

A mocinha que está encostada ao lado da porta está ao celular dizendo: “Me espera na catraca! As meninas já chegaram?”. Certamente se trata de um grupo de amigas que não se viram o ano inteiro e agora se reúnem para beber no Tatuapé!

Eu gosto dessa época de fim de ano. São Paulo fica mais calma por conta das férias, as pessoas ficam mais relaxadas e há oportunidades diárias de tomar cerveja gelada desenfreadamente só pelo simples motivo de ser fim de ano.

Embora eu curta todo esse clima que envolve o Natal, eu não gosto do Natal em si. Hoje em dia a ceia na minha família é muito desanimada. Ano passado minha tia bateu o recorde de ir embora da casa da minha avó as 00h17min. Eu, 00h21min.

Mas, a culpa é minha. Eu comparo todos os anos com o Natal de 1994 e por isso me decepciono.  A minha família inteira foi para Araraquara. Era tanto presente na árvore e ao redor de uma mesa linda os meus pais, avós e tios conversavam assuntos divertidos. Não só a noite foi legal, mas o feriado inteiro: jogamos bola, fizemos churrasco, tomamos banho de rio… Foi o melhor!

No outro Natal eu cheguei na casa do Rodrigo justo na hora que o “Papai Noel” estava entregando os presentes para a criançada. Minha mãe esqueceu de levar o meu presente para que o Papai Noel me entregasse. A mãe do Rodrigo foi rapidamente ao quarto e embrulhou um par de meias para que eu não ficasse sem nada. Agora imaginem: as crianças ganhando carrinhos de controle remoto, bonecos dos Comandos em Ação e eu ganhando uma meia! Naquele momento me revoltei, chutei a canela do Papai Noel e gritei “Seu filho da puta”.

Esse ano será o primeiro como papai. Será uma noite diferente de todas as outras. Os meus sobrinhos estarão lá e só não vou me vestir de Papai Noel por proibição da minha família. Motivo? Estou acima do peso.

Texto colaborativo by Fabio Gabriel

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