Bom dia meu querido desconhecido. #crônicasdemetrô

Bom dia meu querido desconhecido. #crônicasdemetrô

Estou na estação Carrão e acabou de entrar um ambulante vendendo fones de ouvido da Samsung por apenas R$ 5. Ele passou por todas as pessoas e só conseguiu vender um produto.

Isso fez lembrar da vez que eu estava indo para a faculdade e entrou um ambulante cadeirante vendendo balas. Quando olhei para o rosto dele, o reconheci na hora. Ele era um dos caras mais populares do colégio. Na época ele tocava em um grupo de pagode, pintava o cabelo de loiro e pegava geral. Ele não usava cadeiras de rodas.  Eu o chamei  e perguntei:

  • Você estudou no Gabriel Ortiz?
  • Sim! Estudei sim! Acho que lembro de você.

Ele falou isso só para me agradar, até por que aquela época eu era praticamente invisível. Conversamos um pouco mais, e ele falou que sofreu um acidente de moto e perdeu o movimento das pernas. Ele havia se tornado um para-atleta e estava vendendo bala no metrô para conseguir comprar uma cadeira especial. Depois daquele dia nunca mais nos vimos.

Sempre vejo contemporâneos da época do colégio no metrô. Geralmente eu olho pra eles e eles também olham pra mim, sabemos que nos conhecemos, mas ninguém acena em sinal de respeito ao antigo colega. Não sou metido, mas tenho um pouco de vergonha de cumprimentar alguém que só “acho” que estudou comigo. Não tenho aquela certeza. Vai que só parece, mas não é aquela pessoa que eu achei que fosse?

Mas eu gosto de cumprimentar pessoas desconhecidas. Eu faço muito isso quando estou praticando exercício físico. Gosto de correr pela manhã, e quando vejo alguém correndo ao meu encontro dou aquele “Bom dia!”. Muitos respondem, outros só acenam e alguns ignoram. Esses que falei por último olham com um ar de “Te conheço?”.

Costumo cumprimentar idosos. Faço isso com certa vaidade, só pra eles pensarem “Nossa! Que jovem educado! Ninguém se cumprimenta mais nessa cidade! Por que na minha época…”.

Seria legal se todo mundo se cumprimentasse. Acho que a gentileza das pessoas poderia fazer uma diferença incrível nessa realidade caótica da cidade. Mas também imagina cumprimentar todas as pessoas presentes no metrô em horário de pico. Deixa pra lá!

 

Texto colaborativo by Fábio Gabriel

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